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Obesidade infantil exige cuidados multidisciplinares

A amamentação deve ser incentivada até os dois anos de idade, contribuindo para a prevenção da doença em crianças pequenas. Alimentos lácteos precisam ser introduzidos com acompanhamento de um profissional da saúde

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada três crianças, com idade entre 5 e 9 anos, está acima do peso no Brasil. Já no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2025, o número de crianças obesas chegue a 75 milhões. A melhor forma de combater a obesidade ainda é a prevenção. Para discutir o tema, o International Life Sciences Institute (ILSI) do Brasil, por meio da Força-Tarefa Nutrição da Criança, realizou um webinar sobre o tema com a finalidade de promover um debate multidisciplinar, com a presença de diferentes profissionais especialistas na área infantil. A transmissão foi coordenada pelo também Coordenador Científico da Força-Tarefa responsável      e Pediatra, Dr. Tulio Konstantyner (Unifesp). 

Durante as palestras, que focaram nas estratégias para combater a doença, que pode gerar graves consequências para a saúde também na vida adulta, a Nutricionista Dra. Ana Paula Black Dreux ressaltou que a atuação de seus colegas de profissão é realizada em ações multivariadas, com profissionais de saúde e governo, levando em consideração, também, a influência do ambiente escolar, da qualidade do sono e dos hábitos dos pais e/ou criadores. “Condutas na melhora da alimentação e estilos de vida dos progenitores podem também ser vistas como uma oportunidade para mudança dos hábitos familiares como um todo, inclusive, na introdução de alimentos saudáveis, preferencialmente, in natura para a criança”, disse a Nutricionista. O Educador Físico Professor Gilberto Martinez também aproveitou para complementar a discussão com a importância da prática de atividades físicas, que são aconselhadas não apenas para adultos, mas, inclusive, para crianças.

A Fonoaudióloga Patrícia Junqueira lembrou que “aprender a comer vai muito além da boca e do estômago. Os bebês regulam sua ingestão de alimentos e nutrientes por meio de sinais complexos de fome e saciedade. Cabe a uma parentalidade responsável saber criar uma rotina com esta vivência responsiva, gerando uma estrutura alimentar apropriada à saciedade da criança”, disse a Pesquisadora     . 

A multidisciplinaridade do webinar mostrou que a prevenção à obesidade infantil se deve à diversos fatores. Um dos principais temas abordados pelos profissionais foi a amamentação que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), no país, de forma exclusiva, dura em média 51 dias, menos de dois meses. A recomendação é que seja realizada até os dois anos de idade, ainda que, muitas vezes, se introduza alimentação láctea já no primeiro ano de vida.

Para assistir ao webinar sobre obesidade infantil, acesse:

Alimentação Láctea para crianças de 1 a 5 anos

Em julho de 2020, a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) publicou um Concenso sobre consumo de alimentos lácteos. Nele, a Associação concluiu que as recomendações brasileiras atuais sugerem o consumo de três porções de produtos lácteos por dia para crianças com idade entre 1 e 3 anos e reconhecem a importância desses alimentos para a saúde nutricional. Entretanto, não há regulamentação específica no Brasil para produtos lácteos para esta fase da vida. E, ainda de acordo com o documento, é justamente na fase da pré-escola em que prevalece a alta da obesidade, com consumo excessivo de proteínas e calorias.

A recomendação da ABRAN para os profissionais de saúde é que as fórmulas lácteas para crianças no início da primeira idade sejam administradas para aquelas com mais de 1 ano. Esta prática deve incluir o aconselhamento de ingestão destes produtos, em substituição ou em paralelo ao leite de vaca não modificado, especialmente em caso de necessidade de ajustar a oferta de macro e micronutrientes. Além disso, é sempre importante ressaltar o estímulo à introdução de alimentos tradicionais com alto valor nutricional e sempre recomendar a amamentação nos primeiros dois anos de vida.

A Força-Tarefa Nutrição da Criança realizou, ainda, um webinar sobre este consenso, com a participação do Médico e Nutrólogo com atuação em Nutrologia Infantil, Dr. Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida (UFSCAR), que apresentou o tema, e a Pediatra Nutróloga e Presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Dra. Virginia Weffort, debatedora do assunto. Neste evento virtual, além da coordenação do Dr. Tulio, contou-se, também, com a expertise e coordenação científica do Pediatra e Nutrólogo Mauro Fisberg (Instituto Pensi). 

Para assistir na íntegra o webinar sobre o consenso, acesse: https://bit.ly/35zi5O2