Share
Save

Sustainable Nutrition: From Theory to Practice

Sessão online, Go To Webinar
04/09/2020
10:00 – 11:30

Coordenação:
Dra Fernanda Martins (Unilever)
Dr. Mauro Fisberg (Instituto PENSI).

Palestras:
“Why does the food system has to change?” Dr. Fabrice DeClerck – EAT/ The Alliance of Bioversity and CIAT

“How can we look at nutrition and sustainability at the same time?” Dr. Emeline Fellus – FReSH/WBCSD

“How to put sustainable nutrition into practice?” Dr. Mariska Dotsch – Unilever

 

Nutrição sustentável é a chave para o futuro da humanidade

Em webinar, ILSI Brasil reúne pesquisadores para discutir possíveis caminhos para transformações no sistema mundial na produção de alimentos 

O International Life Sciences Institute (ILSI) Brasil realizou, por meio da Força-Tarefa Estilos de Vida Saudáveis, o webinar ‘Nutrição Sustentável: da teoria à prática’, que reuniu três especialistas de renome mundial. Com a coordenação conjunta de Mauro Fisberg, Nutrólogo, Pediatra e Coordenador Científico da força-tarefa, e Fernanda Martins, membro do Conselho Científico e de Administração (CCA) do Instituto e Executiva da Unilever, os pesquisadores Fabrice DeClerck (EAT/The Alliance of Bioversity and CIAT), Emeline Fellus (FReSH/WBCSD) e Mariska Dötsch-Klerk (Unilever) compartilharam a discussão sobre uma transformação do sistema de produção de alimentos.

“Mais do que nunca precisamos discutir como passar da teoria para a prática. A pandemia nos colocou em um nível sem precedentes de urgência. Estamos muito orgulhosos de poder reunir pesquisadores tão ativos e capazes de falar para nossa rede de colaboração”, diz Mauro Fisberg (ILSI).

“Existem várias ideias que podem ser colocadas em prática e que nos trariam ganhos de saúde e sustentabilidade: precisamos de cooperação entre os agentes do complexo sistema de produção de alimentos e queremos que nosso webinar informe e inspire a todos nós”, diz Fernanda Martins (ILSI, Unilever).

 

O Antropoceno e o caminho para a alimentação saudável

O pesquisador Fabrice DeClerck (EAT/The Alliance of Bioversity and CIAT) trouxe o tema: “Por que o sistema alimentar tem que mudar?”, sinalizando que há um consenso crescente e preocupação entre  os cientistas ambientais de que estamos vivendo em uma era chamada de Antropoceno, marcada por mudanças ambientais rápidas e em escala global impulsionadas por ações humanas. Essa mudança acelerada coloca em risco os processos do sistema terrestre, como o clima, que definem um espaço seguro e estável para a humanidade.  Assim, enquanto a nossa forma de produzir alimentos prejudicar o meio ambiente, também estará prejudicando a nossa saúde. Hoje, dois bilhões de pessoas encontram-se em níveis severos de desnutrição, enquanto, ao mesmo tempo, outros dois bilhões são obesos ou apresentam sobrepeso. Ambas as tendências estão aumentando.

Que alimentos comemos, o quanto, quando e onde os produzimos e consumimos, e quanto é perdido e desperdiçado são atualmente os principais impulsionadores dos prejuízos ao meio ambiente e à saúde. No entanto, é possível mudar esse cenário, a comida pode ser nossa melhor aposta na restauração ambiental e na melhoria da saúde humana. DeClerck alerta que os próximos dez anos serão decisivos para o futuro da humanidade e que um caminho viável para nossa espécie é tomar medidas alinhadas em relação ao tipo de alimento que escolhemos produzir e como produzimos.

A palestra de DeClerck encerrou com um chamado à ação:  nos próximos 10 anos, é extremamente necessário que tanto os agentes do setor público, quanto o privado, rapidamente se comprometam e tornem acessíveis e desejados os alimentos produzidos de modo saudável e sustentável.  DeClerck afirma ainda que vários modelos globais sugerem que a mudança de dietas, a redução do desperdício de alimentos e a transição para as práticas agrícolas regenerativas tornam viável a alimentação de 10 bilhões de pessoas, dentro de parâmetros ambientais saudáveis, enquanto restauramos a saúde e o bem-estar de todos. Isso nos permite deixar um planeta viável para gerações futuras.

 

Articulação entre produção e consumo como pilar da transformação do sistema

Emeline Fellus (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável – WBC SD) apresentou um quadro de trabalho para todos os líderes empresariais que estão dispostos a construir suas próprias ações e, ao mesmo tempo, ações coletivas, da transformação do sistema alimentar. “Quando temos em mente que 30% dos alimentos produzidos no planeta são perdidos ou desperdiçados, fica bastante claro a necessidade de desenvolver planos de ação que articulam a produção e o consumo, para que as mudanças sejam sustentáveis e viáveis”, afirmou.

Para ilustrar o problema, Emeline comparou diferentes tabelas de recomendações para uma dieta saudável e sustentável. “Previsivelmente, variações têm sido encontradas nas quantidades sugeridas de alimentos, mas surpreendentemente, as conclusões alcançadas são as mesmas: não produzimos vegetais diversos e  nutritivos; precisamos reduzir a ingestão de açúcares, sal e gordura trans e é necessário avançar da questão da quantidade de carne para a qualidade e sustentabilidade da carne ingerida”, completou. Nesse sentido, estima-se que a produção sustentável de proteínas saudáveis pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em mais de 50%, e pode incentivar a manutenção da biodiversidade em 20%.

Para tentar resolver a situação, segundo ela, o programa de ação do WBC SD está organizado em quatro vias diretas: a transformação da agricultura e, ao mesmo tempo, a restauração do meio ambiente; a  distribuição equitativa do valor em toda a cadeia de valor;  as mudanças na dieta populacional; e, finalmente, a redução das perdas e do desperdício de alimentos, que são combinadas com mais três caminhos indiretos: transparência em toda a cadeia de valor; estruturas financeiras e políticas; e novos modelos de negócios.

Porém, o complexo processo de transformação do sistema de produção de alimentos depende, antes de mais nada, de ações coletivas, que a pesquisadora resume em cinco tipos de ações complementares: estabelecer normas e especificações que possibilitem a produção e orientem comportamentos; desenvolver ferramentas, como a referência à estrutura de medição de impacto proteico;  advocacia; fortalecer a  colaboração entre atores envolvidos, por meio de coalizões e parcerias com indústrias e  além; e compartilhar conhecimento, por meio de publicações e outras formas.

Em resumo, Emeline aponta quatro linhas possíveis de trabalho: nutrição positiva, para que os alimentos processados se tornem mais saudáveis; proteína sustentável, para que seja criada a demanda por proteínas sustentáveis, especialmente os derivados vegetais; otimização da produção e consumo de alimentos à base de plantas; e a mudança no comportamento do consumidor, em prol de escolhas saudáveis e  sustentáveis.

 

Iniciativas da indústria para uma dieta centrada em plantas

Mariska Dötsch-Klerk (Centro de Inovação em Alimentos da Unilever) abordou o conceito de dieta plant-forward a partir da perspectiva da indústria de alimentos. Com base no pressuposto de que uma transformação radical do sistema de produção de alimentos é urgente, a pesquisadora enfatizou que todos os atores da indústria de alimentos podem contribuir para a melhoria do impacto ambiental e sanitário dos alimentos, tanto para o planeta quanto para os consumidores.

“Dieta centrada em alimentos vegetais” é um estilo de preparação de alimentos que enfatiza e celebra, mas não se limita apenas a alimentos à base de plantas, incluindo vegetais, frutas, grãos integrais, feijões e outras leguminosas, soja e derivados, sementes, óleos vegetais e temperos.

Mariska disse que o interesse do consumidor pela alimentação plant-forward está aumentando e a indústria está trabalhando em diferentes opções para permitir a mudança para o surgimento de mais dietas baseadas em plantas, com novas estratégias culinárias, conceitos de cardápio e produtos alimentícios seguros, com uma longa vida útil e boa qualidade nutricional.

No que diz respeito à inovação de produtos, isso inclui investimentos no desenvolvimento de substitutos de carne e laticínios, além de produtos híbridos e para temperar pratos à base de plantas que sejam tão saborosos quanto pratos contendo ingredientes derivados de animais. No entanto, também é necessário um trabalho de marketing para que alimentos e pratos centrados em vegetais ganhem estratégias de posicionamento mais sofisticadas.

Para finalizar, Mariska afirmou ainda que o movimento de avanço das plantas não só beneficia a saúde e o meio ambiente, mas também pode ter benefícios financeiros para, por exemplo, os fornecedores de serviços de alimentação.  Ela concluiu sua apresentação afirmando que uma colaboração multi-stakeholders é necessária para impulsionar ainda mais o movimento plant-forward, incluindo políticas e preços, que demandam apoio do governo.