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Nutrição Personalizada: Onde Estamos?

Sessão Virtual, Brasil
01/07/2021
01/07/2021
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A nutrição personalizada pode melhorar o funcionamento do organismo e prevenir doenças

Somos seres únicos, mas com herança genética. Os estudos indicam, no entanto, que é possível alterar a rota e viver melhor

A Força Tarefa Alimentos Funcionais realizou no dia 1º de julho o webinar “Nutrição Personalizada: Onde Estamos?”, sob coordenação do Professor Emérito do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, Doutor Franco Maria Lajolo, além de Copesquisador Principal do Food Research Center – FoRC (CEPID/FAPESP), e Membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo; e da Doutora em Saúde Pública pela USP, Barbara Peters, Nutricionista com especialização em Nutrição Clínica pelo GANEP, e Membro do Comitê Científico da Aliança Latino-Americana para Nutrição Responsável (ALANUR).

 

Abriu o evento o Médico Cirurgião Dr. Dan Waitzberg, fundador do GANEP, Professor Associado do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP e Coordenador do Laboratório de Metabologia e Nutrição em Cirurgia Digestiva, e membro do Comitê Científico do ILSI Brasil com a palestra “O Papel do Microbioma”.

 

Waitzberg mencionou de início a enorme expansão do estudo do microbioma, particularmente do microbioma intestinal. Segundo ele, com o avanço das técnicas é possível, cada vez mais, a compreensão do papel da viroma, dos fungos, dos parasitas, e claro, do bacterioma, na saúde do hospedeiro.

 

“No nosso organismo habitam trilhões de microorganismos, principalmente no intestino. Hoje se admite que a razão entre as células bacterianas e humanas seja de um para um. E, se nós admitirmos em torno de mil espécies bacterianas no intestino, nós teremos uma quantidade ainda maior de um genoma bacteriano, cerca de 25 vezes maior que o humano. E se considerarmos que por trás de cada gene existe uma molécula, podemos imaginar que o intestino abriga um órgão virtual dentro de si”, relata o médico cirurgião.

Responsável por modular e fazer com que o sistema imunológico se desenvolva, a microbiota de cada indivíduo é única, como se fosse uma impressão digital. As diferenças são observadas entre os gêneros, em diferentes idades e fases da vida, e perante os diferentes alimentos que ingerimos, assim como em distintas condições de saúde. A mucosa intestinal seria a interface entre o meio ambiente e o sistema imunológico.

 

Atualmente, se admite a existência de relações de mão dupla entre a alimentação, o hospedeiro e sua imunidade e a microbiota intestinal, o que significa que a alteração da dieta pode modular a microbiota, modificando determinados metabólitos que vão atuar sobre os sistemas neurológico, imunológico e endócrino. Em suma, dieta e microbiota podem influenciar funções intestinais com repercussão local e sistêmica, como bem mostra a interação entre o eixo intestino-cérebro, já conhecido há décadas.

Para o médico-professor, o futuro aponta para uma direção em que abordagens metabolômicas para o estudo do microbioma e suas vias metabólicas viabilizem uma espécie de “biologia microbiana preventiva”.


Na sequência, o professor doutor em Ciência dos Alimentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Thomas Ong, também membro do Comitê Científico Consultor do ILSI Brasil, afirma que o tema microbioma e nutrição, tratado na palestra de abertura, está intimamente ligado à Nutrigenômica, seu campo de pesquisa. Apresentando a aula “Avanços em Nutrigenômica”, ele cita um primeiro artigo científico que reconhece a nutrigenômica como uma ciência importante para área de nutrição, permitindo o avanço no conhecimento da interação entre gene e nutriente, e afirma a necessidade do desenvolvimento de mais pesquisas na aplicação clínica da nutrigenômica.

 

O segundo artigo citado por ele, desenvolvido por um grupo de pesquisadores da área de nutrição, mostra uma análise crítica de quais seriam os aspectos principais da pesquisa em nutrição no sentido de se promover a saúde e reduzir o risco para doenças crônicas não-transmissíveis. Entre os aspectos destacados estão o papel da digestão, o entendimento do processo digestivo, a absorção, metabolização e função de nutrientes, o estabelecimento de biomarcadores nutricionais e de doenças, as necessidades nutricionais individualizadas e a intervenções nutricionais personalizadas.

 

O professor, no entanto, revela seu interesse em uma outra questão colocada como prioridade de pesquisa, que é o entendimento da especificidade tecidual e a importância da temporalidade na resposta à dieta. Neste sentido, surgem  algumas perguntas importantes, como quais tecidos são influenciados por determinados alimentos e padrões dietéticos? E em que fase da vida ocorre essa influência?

 

Estudos indicam que a forma como uma resposta à alimentação ocorre  vai depender, dentre inúmeros outros fatores, do período em que essa alimentação acontece e à exposição a uma determinada intervenção nutricional durante o início da vida  que pode ter um impacto fenótipo e ser diferente na vida adulta. “Por isso, a caracterização de como a resposta se dá nas várias fases do ciclo de vida também é essencial para o estudo do genoma”, explica o doutor Thomas Ong. Ele destaca a alimentação como um dos principais fatores ambientais no funcionamento do genoma, afetando a expressão gênica por mecanismos extremamente complexos e dinâmicos.

“Um gene vai afetar a expressão de outro gene, levando a uma modulação de rede genômica. E se eu quero entender a interação gene-ambiente, analisar um gene por vez não é mais suficiente, é importante que se tenha, quando possível, uma visão global de como ocorre a modulação da expressão gênica”, ele afirma. A regulação da expressão gênica, o mecanismo de bioativos na promoção do estado de saudabilidade na célula, a suplementação por selênio são pontos apresentados e relacionados no estudo do professor-doutor.

 

 

01 de julho – 10h às 12h

Coordenação:
Dr Franco Maria Lajolo (FCF USP) e Dra. Barbara Peters (IFF)

Palestrantes:
O Papel do Microbioma – Dr. Dan Waitzberg (GANEP)
Avanços em Nutrigenômica – Dr. Thomas Ong (FCF  USP).

Acesse a gravação do webinar em nosso canal do Youtube