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Participação Pint of Science Brasil

Participação Pint of Science Brasil
São Paulo, Brasil
21/05/2019 – 22/05/2019

ILSI Brasil discutiu Fake News e Transgênicos no Pint of Science

Quarta edição do evento promoveu discussões científicas em mesas de bar

 Falar de ciência pode ser fácil e descontraído como uma conversa numa mesa de bar. A proposta do Pint of Science em todo o mundo é exatamente essa. Aqui no Brasil, em sua quarta edição, o evento promoveu debates em estabelecimentos de 85 cidades de diferentes regiões. Em São Paulo, o ILSI Brasil participou de duas mesas, nos dias 21 e 22 de maio, com representantes das Forças-Tarefas de Biotecnologia e Estilos de Vida Saudáveis.

Fake Food ou Fake News?

O Dr. Mauro Fisberg (UNIFESP), Pediatra, Nutrólogo e Coordenador Científico da Força-Tarefa de Estilos de Vida Saudáveis, apresentou a palestra “Desvendando a dieta da Lua e a dieta Paleo”. As dietas da moda e seus impactos na saúde são uma preocupação dos profissionais da área, como apontou o Dr. Fisberg. Na era dos modismos, confunde-se restrição com equilíbrio, o que acarreta em um hábito alimentar de risco. Quando feita por um profissional da saúde, a dieta não é livre de nenhum grupo alimentar, a menos que o paciente tenha alergia ou intolerância a algum deles. “Em geral, todos os grupos têm algo positivo a oferecer para o bom funcionamento do organismo. Ou seja, deve-se comer de tudo de forma adequada ao corpo”, comentou Fisberg, ao lembrar que a credibilidade da fonte da informação é imprescindível, tendo sempre evidências e embasamento científico para a tomada de decisões, e não boatos e crenças.

A dieta vegetariana também foi assunto da mesa, na qual o Dr. Mauro falou sobre os principais pontos positivos e negativos deste tipo de alimentação. “O vegetarianismo não necessariamente significa uma vida mais saudável que a do não vegetariano, pois, para eliminar a carne dos hábitos alimentares, é preciso reestruturar toda a alimentação para que haja a quantidade necessária de carboidratos, gorduras, proteína, vitaminas e sais minerais”, comentou, e finalizou lembrando o maior dos modismos atuais: o Industry Free.

Fernanda Martins, Gerente Sênior de Saúde e Nutrição para América Latina na Unilever, foi a ministrante da palestra “Você sabe o que você come?”. Em meio a tantas recomendações conflitantes de profissionais da área médica e meios de comunicação, Fernanda lembrou que muitas vezes as crenças acerca de produtos industrializados acabam sendo mais fortes do que os riscos reais dos alimentos em si. O processo de industrialização não é inimigo da saúde, pelo contrário. Em alguns casos, o alimento com componentes industriais possui maior concentração de nutrientes justamente pelos processos artificiais que os mantem assim. Um dos exemplos citados por Fernanda foi o da maçã, que, ao ser tirada da macieira, imediatamente começa a perder nutrientes. Através do processo de revestimento industrializado, a maçã consegue ser transportada até o consumidor final ainda com seus componentes, que, ao serem ingeridos, têm função positiva no organismo humano. Foi, ainda, lembrado que o processo de análise de um produto industrializado em comparativo ao orgânico deve ser feito de forma responsável, com informações realistas de seus nutrientes e a ingestão recomendada. “A diferença entre remédio e veneno está na quantidade, na dose ministrada”, acrescentou, em comparativo à quantidade de consumo de cada grupo nutricional.

 

Você já comeu seu transgênico hoje?

Doutor em Biotecnologia pela USP, o biólogo Guilherme Cruz abordou o tema “transgênicos” do ponto de vista agrícola. Em um dos tópicos que citou sobre o assunto, Guilherme lembrou que a tecnologia transgênica passa por regulamentação e avaliações de qualidade e segurança antes de implementadas justamente para garantir que não haja riscos à saúde humana ou ao meio ambiente. Uma vez confirmados seguros, são aplicados na etapa de cultivo, visando otimizar o processo e garantir conservação dos alimentos.

Guilherme aproveitou também para falar sobre a utilização de híbridos na produção de alimentos. “Imagine, por exemplo, na plantação de milho que exista um pai e uma mãe. A combinação destas duas amostras gera uma terceira, unindo as particularidades que cada conjunto de genes possui. Assim, cria-se um padrão ouro de espécie que vai culminar numa colheita com grãos maiores e ricos em nutrientes”, explicou, de forma mais clara, o processo de criação de híbridos.

A Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas pela ESALQ-USP, Alda Larayer, trouxe a discussão mais para o dia a dia das pessoas, desafiando o público ao questionar onde exatamente está o transgênico que ele consome. Os transgênicos estão em diversos produtos, como sabão em pó e detergentes, com modificações que os tornam mais eficientes na limpeza. Para a alimentação, “existem alimentos bons e ruins em todas as categorias, mas tudo depende da forma como são cultivados e produzidos. O investimento em tecnologias transgênicas tem dado excelente retorno por otimizam esse procedimento, que aumenta a conservação de produtos, mantendo seus nutrientes e propriedades originais”, comentou.

Um exemplo dado pela Dra. Larayer foi o do queijo coalho, que é feito através do ácido lático obtido pela retirada de partes secas do estômago de bezerros alimentados exclusivamente com leite materno. Por meio da transgenia, o gene do bezerro foi colhido para criação de microrganismos com a propriedade coagulante. Hoje, esses microrganismos transgênicos são usados em 90% da produção mundial, o que possibilitou, por exemplo, que vegetarianos pudessem consumir o produto, uma vez que não existe mais o prejuízo animal na sua produção.

O evento contou, ainda, com uma palestra do fundador e CEO da Core US, Dr. Gustavo Belchior, que falou sobre criação de contextos para que a população consiga se informar melhor sobre termos técnicos que estão fora de seu dia a dia. Gustavo falou também do termo Transposição Didática, que é a ação de passar conhecimento a quem vai repassar adiante. Um exemplo de transposição didática é levar conhecimento científico à professores de forma que eles entendam e possam ensinar didaticamente, como conhecimento escolar, a seus alunos.

 

21/05: Fake food ou fake news?
https://pintofscience.com.br/event/fake-food-fake-news

22/05: Já comeu seu transgênico hoje?
https://pintofscience.com.br/event/metacomunicao-e-transgenia