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Chá da Tarde com Dr. Jan Knol

Chá da Tarde com Dr. Jan Knol
São Paulo, Brasil
27/06/2016
15:30 – 17:30

A BOA FORMAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL NO INÍCIO DA VIDA  É FUNDAMENTAL PARA UM ADULTO SAUDÁVEL

O ILSI BRASIL recebeu mais um convidado internacional, no Chá da Tarde que aconteceu no em São Paulo, em junho. Dr. Jan Knol – PhD é Professor de Microbiologia Intestinal na Primeira Infância, na Universidade de Wageningen (Holanda), Diretor de Metabolismo, Trato Intestinal e Microbiologia da Danone Nutricia Research e falou sobre “A Microbiota Intestinal no início da vida: a importância de estabelecer uma simbiose”.

Sob a coordenação do Prof. Dr. Franco Lajolo, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, USP, e do Prof. Dr. Rubens Feferbaum – do Instituto da Criança, USP, o encontro foi organizado pelas Forças-Tarefas de Alimentos Funcionais e Nutrição da Criança.

Dr. Knol foca sua investigação na colonização precoce do trato intestinal de recém-nascidos e o link para potenciais resultados de saúde, ao longo da vida, considerando inclusive o tipo de parto, um campo de pesquisa que tem crescido, com velocidade, nos últimos anos.

O especialista destacou a importância da formação da microbiota Intestinal na Primeira Infância, também chamada de os primeiros 1000 dias. O bebê passa a ser exposto aos micro-organismos a partir do nascimento, quando tem como desafio estabelecer uma simbiose com o mundo externo, mas ainda se questiona se, no pré-parto, ele é estéril antes desta exposição e contato, considerando que o número de micro-organismos em nosso corpo é maior do que nossas próprias células e ultrapassam a casa dos trilhões.

Os estudos mostram, além da patogenia, a importância e benefícios de um microbioma e das relações de simbiose em ações no sistema imune, no trato gastrointestinal e até no sistema nervoso, dentre outras, demonstrando, ainda, a associação entre a microbiota intestinal (enterotipo) que “tendem” a um fenótipo no futuro.

A microbiota intestinal na primeira infância, portanto, está relacionada a diversos fatores que passam pelo aspecto genético, idade gestacional e até o tipo de parto. Se natural, há uma exposição à microbiota do canal vaginal materno e, na cesariana, este processo não ocorre.

Após o nascer, o desenvolvimento da microbiota continua a ser influenciado pela dieta, tendo o leite materno um papel decisivo entre os 4 e 6 meses de idade, pela sua própria composição rica em aminoácidos e outros substratos, ou a adoção de papinhas. O uso de antibióticos também terá seu impacto no microbioma dependendo do início da administração do medicamento, especialmente se muito cedo na infância.

Estas diferentes condições de existência como nascimento, dieta, estilo de vida e genética, apontou estudo, estão associadas a diferentes tipos de microbiota e também ao  IMC (Índice de Massa Corpórea) futuro.

Ainda nos primeiros 1000 dias, período em que o microbioma se estabelece, os micro-organismos e o sistema imune da criança têm uma relação de sinalização-resposta.  Por isso, o aspecto nutricional é de suma importância, pois a exposição a certos alimentos e uma dieta rica em prebióticos poderá interferir na composição e atividade da microbiota e ter reflexos no desenvolvimento do sistema imune, reduzindo riscos de alergias em geral e dermatite atópica, associadas com determinados tipos de microbiota. Além disso, a nutrição intervencional na infância poderá ser adotada para prevenção de DCNTs (doenças crônicas não transmissíveis). Sob uma análise epigenética, sabe-se que a má nutrição pode modificar o DNA e gerar alterações genotípicas e fenotípicas que persistem pela vida adulta.

Dr. Knol observou em suas conclusões que o tema é complexo, mas essencial para saúde humana. A amamentação não é apenas funcional, mas interfere na composição da microbiota e alguns alimentos ricos em prebióticos, probióticos e simbióticos podem ajudar a modelar o sistema imune e reduzir o risco de várias doenças. As bactérias seguem caminhos diferentes em sua composição na microbiota intestinal e, por isso, todos os indivíduos são diferentes e, portanto, a recomendação nutricional deve ser específica e personalizada. É preciso uma microbiota balanceada na infância para um adulto saudável, ressaltou.