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Avaliação do Risco de Praguicidas para Polinizadores

Sessão virtual, Brasil
17/06/2021
17/06/2021
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O trabalho do IBAMA, do mercado e da academia para preencher lacunas de conhecimento sobre polinizadores


Em webinar que debateu as lacunas de informações das análises de risco para polinizadores e desafios analíticos, a abelha foi a rainha

No último dia 17 de junho, a Força Tarefa Agroquímicos realizou o webinar “Avaliação do Risco de Praguicidas para Polinizadores” e contou com a participação de Leandro Borges (IBAMA), Ulisses Antuniassi (Unesp Botucatu), Mariana Ratti Doro (Grupo Eurofins) e Osmar Malaspina (Unesp Rio Claro), que também foi o moderador do evento. A coordenação científica esteve a cargo da Dra. Elizabeth Nascimento (FCF USP).

O primeiro palestrante foi o Analista Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Leandro Borges, Biólogo, Mestre em Ecologia e Evolução (UFG) e em Landscape Ecology and Nature Conservation (Universität Greifswald, Alemanha). Ele ministrou o conteúdo “Lacunas de Conhecimento e avanços frente à publicação do Manual”, dividido em cinco partes: IBAMA e avaliação ambiental agrotóxicos; Instrução normativa nº2/2017; Manual de ARA de agrotóxicos para polinizadores; Lacuna de conhecimento e Chamada pública CNPq/MCTIC/IBAMA/ABELHA.

Borges detalhou a Instrução Normativa tanto para o registro de agrotóxicos como para a reavaliação de registros, e ainda as diretrizes para a avaliação e classificação de potencial de periculosidade ambiental (PPA) – que considera o perigo do produto, e a avaliação de risco ambiental (ARA) – que leva em conta o risco do produto. O biólogo informou que existe um Grupo de Trabalho dentro do Instituto, desde 2005, criado especialmente para discutir essa pauta, cuja missão é delinear e propor os procedimentos de avaliação de risco para polinizadores (insetos), levando em consideração as particularidades da agricultura e biodiversidades brasileiras.

Em relação às lacunas identificadas pelo GT no Manual, que são: o quão protetivo é o uso de Apis melífera; que espécies de abelhas estariam mais expostas em ambiente agrícolas; a falta de dados sobre eventual declínio de polinizadores no Brasil; além da falta de dados  para validação de modelos de deriva utilizadas no esquema ARA, ele informa: “O IBAMA decidiu formalizar essas lacunas numa norma técnica com a intenção de dar publicidade à essas necessidades e estabelecer eventuais parcerias”. Para tanto foram abertas chamadas públicas, junto ao CNPq, para o financiamento de estudos voltados para as lacunas do Manual.

Mariana Ratti Doro, do Grupo Eurofins, Química pela Unicamp com MBA em Agronegócio pela ESALQ/USP apresentou os “Desafios analíticos para atendimento à legislação” no âmbito da análise de resíduo. A legislação em questão, segundo ela, refere-se às orientações do Manual de Avaliação de Risco do IBAMA para “a análise de resíduos na etapa de avaliação fase 2 dos resíduos em campo, onde são determinados os resíduos em pólen e em néctar, e dependendo do tipo de cultura também pode ser determinado em folhas, em flores ou outros tecidos vegetais”.

A palestrante aborda o limite de quantificação, cujo maior desafio é a “ultrassensiblidade”. “Deve-se utilizar um equipamento sensível o suficiente para medir como se fosse um milímetro  em uma régua de 1000 quilômetros de comprimento. Como se fosse encontrar uma laranja em uma feira com um bilhão de frutas”, exemplifica Doro. Ela também discorre acerca das definições do Limite de Detecção contidas no Manual, os princípios da Análise de Resíduo e as particularidades da Análise de Pólen e Néctar, antes de concluir: “Embora a ciência da análise de resíduos para frutas e vegetais seja a mesma que para análise de pólen e néctar, os  limites de quantificação diferentes exigidos pela legislação para este tipo de matriz, aliado à restrita disponibilidade da amostra, trazem maiores desafios analíticos no que compete à sensibilidade de medição, demandando maiores refinamentos no preparo da amostra quanto disponibilidade de equipamentos de medição ultrassensíveis”.

No painel “Contribuição da Ciência para Preencher as Lacunas de Conhecimento: Modelos para simulação de deriva”, o Professor titular do Departamento de Engenharia Rural da FCA/ Unesp Botucatu, Ulisses Antuniassi, Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia pela mesma Universidade, além de pós-doutorado em Tecnologia de Aplicação e Agricultura de Precisão pelo Silsoe Research Institute (Inglaterra), abriu o tema enfatizando a importância dos aspectos relacionados à segurança e ao desempenho da pulverização, em se tratando da  aplicação de defensivos, a partir da prática do equilíbrio entre desempenho e segurança, já que isso impacta no processo decisório dos órgãos responsáveis.

De acordo com Antuniassi, a modelagem e todos os aspectos da utilização da tecnóloga de aplicação no sentido das boas práticas passam pelo risco de deriva, e o potencial dos danos causados pela deriva depende do produto aplicado, das condições meteorológicas (intensidade e direção do vento, umidade e temperatura), das técnicas de aplicação, da quantidade de ativo depositada, além da sensibilidade do alvo à intoxicação. “Tudo isso deve ser avaliado no momento de fazer uma proposta de modelagem de deriva. Pensando na tecnologia de aplicação que faça a gota maior possível e o espectro de gotas tenha a menor quantidade possível de gotas mais finas”, ele diz.

Entre o conteúdo abordado pelo professor, estão as Técnicas de Redução de Deriva recomendadas; as Correlações (espectro de gotas versus deriva); o Processo de matemática da deriva; exemplos de modelos de aplicação, como o AgDRIFT – ferramenta mais utilizada que trabalha com estrutura de níveis, os chamados Tiers; os Processos de modelagem (empíricos e mecanísticos); os Aspectos regulatórios dos Tiers, e exemplos de modelagem para definição de faixa de segurança.

O encontro foi encerrado pelo Biólogo e Professor Osmar Malaspina, Mestre e Doutor em Zoologia (UNESP/Rio Claro), Livre Docente do Departamento de Biologia Geral e Aplicada e do curso de pós-graduação em Ciências Biológicas, área Biologia Celular do  IBRC, e coordenador do Grupo de Pesquisa em Ecotoxicologia e Conservação de Abelhas e do Grupo de Trabalho para o desenvolvimento de métodos para testes de toxicidade em abelhas nativas junto ao ICPPR.

“Nós montamos este projeto para preencher as lacunas que detectamos no GT do IBAMA, com informações de análise de risco para polinizadores”, inicia o Professor Osmar ao introduzir o público ao tema do estudo em questão: “Pode uma espécie exótica representar a biodiversidade de abelhas sociais brasileiras nas avaliações de risco à agrotóxicos?” O projeto, realizado em parceria com a bióloga Roberta Nocelli, foi contemplado pelo edital do CNPq em chamada pública do IBAMA, já citada acima, e pretende complementar o Manual desenvolvido pela Instituição, que se volta apenas para a espécie Apis melífera, com uma pesquisa voltada para abelhas de espécies nativas.

Segundo revela Malaspina, existem mais de 20 mil espécies de abelha no mundo e cerca de 3 mil delas estão no Brasil, sendo a maior diversidade mundial. No estudo foram identificadas 10 espécies possíveis para trabalhar e escolhidas três, pensando numa abelha representativa para todo o país. A falta de métodos padronizados para a realização dos testes com abelhas nativas do Brasil definiu os objetivos do projeto: desenvolver e padronizar métodos  para determinar  a toxicidade aguda oral e tópica de ingredientes ativos para abelhas nativas brasileiras adultas e na fase viral; construir curvas de sensibilidade; verificar diferenças e semelhanças nos sistemas de desintoxicação, através de análises do genoma e transcriptoma de duas espécies. Laboratórios – públicos e privados – de várias partes do país participam da pesquisa. Ao longo da apresentação, o pesquisador explica a respeito da utilização dos protocolos, o estabelecimento de parâmetros e a construção das curvas de sensibilidade do estudo, e descreve os próximos passos da pesquisa.

Para saber mais detalhes sobre o tema, confira os webinar completos:

ILSI Brasil Avaliação do Risco Polinizadores – YouTube

 


 

17 de junho – 10h às 12h

Coordenação e moderação:
Dra. Elizabeth Nascimento (FCF USP).
Dr. Osmar Malaspina (Unesp Rio Claro).

Palestrantes:
Lacunas de Conhecimento e Avanços Frente a Publicação do Manual – Leandro de Oliveira Borges (IBAMA).
Desafios analíticos – Mariana Ratti Doro (Grupo Eurofins).
Contribuição da Ciência para Preencher as Lacunas de Conhecimento – Ulisses Antuniassi (UNESP Botucatu).
Trabalhos desenvolvidos no grupo de pesquisa da Unesp Rio Claro – Osmar Malaspina (UNESP Rio Claro).